sábado, 29 de março de 2008

CERTAS CANÇÕES, o livro



Chico ou Caetano?
Eu era Chico. Sem dúvida. Cada palavra no seu lugar, como se elas
nunca tivessem estado em qualquer outro antes. Como se tivessem
nascido juntas, e só nós ainda não conseguíssemos vê-las assim desde
o início. Era simétrico, era pensado, era perfeito. Além de dizer
tudo ou quase tudo que eu queria dizer.
A Ana Paula, ela também.
Ela era Chico cem por cento. Ana louvava o tom poético, a sensibilidade,
a emoção descrita com sutileza e, principalmente, a graciosidade
e a força de suas mulheres. Ela gostava de ser reconhecida nas
músicas do Chico. Ou pelo menos de pensar que era assim.
Mas o João, não. Ele era Caetano. E não se falava mais nisso. João era
energia, era etéreo. Era pura sensação. Cheio daquelas coisas que
na época a gente não sabia descrever muito bem. Ainda não era
esotérico, mas gostava de flanar, de viajar, de curtir. Nada de sentimentos
organizados, bem construídos. Ele adorava ambigüidades,
expressões inusitadas que não diziam nada, mas explicavam tudo.
Outras palavras.
Naquela noite, no entanto, nós todos estávamos
ouvindo Milton Nascimento. E isso era quase uma obrigação.

Um comentário:

mariane disse...

Tenho até medo de ler, eu estava lá desde 1981.
Mariane Biazzi.
Não deve se lembrar de mim, mas eu sei quem vc é.
Vou abrir a primeira página agora.
Aguarde impressões.Anyway Parabéns